A Educação
Tecnológica e o Paradigma Emergente
É no presente que se
forma o cidadão do futuro
A transição de um paradigma em crise para um novo
paradigma, intensificada no final do século XX, leva a refletir a respeito de
novas abordagens na Educação. É evidente a urgência de se abandonar práticas pedagógicas, voltadas ao reducionismo
e a falta de reflexão do indivíduo e utilizar novas abordagens que rompam com a
fragmentação e a divisão do conhecimento e que levem a criticidade, a reflexão, ao envolvimento, a
criatividade e, principalmente, a transformação da realidade. Busca-se neste
trabalho desde entender o que é Educação Tecnológica, bem como o que é o
Paradigma Emergente e as novas maneiras de se aprender e ensinar, através de
uma rede formada por diferentes abordagens do conhecimento. Conclui-se que o que
importa não é apenas ter acesso à tecnologia, mas principalmente saber utilizar
essa tecnologia para a busca e a seleção de informação que permitam a cada
pessoa resolver os problemas do cotidiano, compreender e atuar na transformação
de seu contexto. Este deve ser o norte da escola do futuro, alinhada com os
novos paradigmas da ciência. Ouvimos diferentes vozes que refletem sobre como
construir uma educação que tenha como horizonte o ser humano e que possibilite
as transformações políticas, econômicas, culturais e sociais necessárias para a
construção de um novo mundo. Refletimos sobre a relação entre ciências,
tecnologia e sociedade, e como essa relação deve integrar o currículo visando à
formação plena do educando, possibilitando
a apropriação de conceitos necessário para a construção do conhecimento
para a intervenção consciente na realidade. Dada a urgência desses novos
tempos, além de ter consciência do que precisa ser feito há que se procurar
realizar.
Palavras-chave: educação tecnológica; paradigma emergente;
crise; ensino, práticas
INTRODUÇÃO
Estudar um fenômeno é construir um conjunto de visões. Aqui queremos
ofertar várias das possíveis visões sobre a Educação Tecnológica e o Paradigma Emergente.
Desde o século XVII a educação tem se baseado pelos paradigmas da ciência
norteados pelo pensamento newtoniano cartesiano que instituiu a reprodução e a
fragmentação do conhecimento. A prática educativa se baseava em escutar, ler,
decorar e repetir. Os exercícios de memorização e repetição converteram-se na
essência da ação docente. O foco da ação pedagógica era ensinar, mesmo que esse
método não garantisse o aprender.
No final do século XX uma nova visão do mundo começa a entrepor
diferentes ramos da ciência, levando a superação do paradigma conservador e a
necessidade de romper com a fragmentação e a divisão do conhecimento.
Assim nasce o Paradigma Educacional Emergente, onde o ensino passa a ser
compreendido não mais a partir de uma fragmentação, divisão ou dualidade, mas
a partir da totalidade, onde o indivíduo faz parte da construção do
conhecimento.
Nessa nova perspectiva, a educação tecnológica aumenta
a exigência das instituições de ensino para que incutam reflexões frente a
exigência de acompanhar o forte ritmo do desenvolvimento das tecnologias e à
urgência de um novo paradigma, voltado para a inovação e a difusão tecnológicas.
A investigação e a pesquisa oportunizam antecipar que as práticas
educacionais precisam propagar um processo pedagógico que considere
problematizações que leve a criticidade, a reflexão, ao envolvimento, a
criatividade e, principalmente, a transformação da realidade. A concepção desta
pesquisa tem como pressuposto propor uma ação docente do professor mediante
referências teóricas que caracterizem uma prática educativa com paradigmas
inovadores.
Neste estudo faremos uso da Análise Textual Discursiva, uma metodologia
de análise de textos e discursos, conforme nos explica Galiazzi; Moraes (2007):
Pode-se
concebê-lo como construção de um quebra-cabeças em que o objeto do jogo e suas
peças são criadas e ajustadas na medida em que a pesquisa avança. Numa
perspectiva mais radicalmente qualitativa, talvez, uma metáfora melhor seja a
criação de um mosaico, entendendo-se que o mesmo conjunto de unidades de
sentido pode dar origem a uma diversidade de modos de organização do produto final.
(GALIAZZI; MORAES, 2007, p. 78).
Nosso estudo não se assemelha a construção de um quebra-cabeça, cuja
solução é conhecida. Equipara-se mais a um mosaico, cuja construção se dá no
processo e da qual não se sabe o resultado.
Desta forma procuramos focalizar os temas Educação Tecnológica e o
Paradigma Emergente[1] por meio de partes
contidas em diversos textos de diferentes autores. Cada texto estabelece uma
visão diferente do tema: “O desafio é exercitar um diálogo entre o todo e a
parte, ainda que dentro dos limites impostos pela linguagem, especialmente na
sua formalização em produções escritas” (GALIAZZI; MORAES, 2007, p. 49).
Assim sendo, acumulamos informações semelhantes de múltiplas vozes e,
num esforço de interpretação buscamos sintetizá-las. Neste processo caminhamos
mais próximos às incertezas, refletindo sobre o que se sabe e o que precisa ser
aprendido, à análise do que precisa ser feito.
A intuição também se faz presente neste estudo, visto que ela integra a
racionalidade de processos dedutivos e indutivos com outros aspectos de nossa
capacidade de produzir sentidos sobre o que interpretamos. Como bem nos diz Galiazzi; Moraes (2007):
[...]é
importante a intuição do pesquisador, saber libertar-se de construções e
teorias já existentes, sempre no sentido de construir novas formas de
estruturar os elementos do fenômeno sob investigação. É nisto que reside a
capacidade criativa do processo, essencialmente fundado na intuição (GALIZZI; MORAES,
2007 p. 65)
Durante o estudo enfatizamos a interpretação, a valorização do
conhecimento do pesquisador, a escuta de diferentes vozes, o caráter histórico
das informações e as novas compreensões. Um processo que exige esforço e
envolvimento com idas e vindas em todos os momentos da análise. Afirma Galiazzi;
Moraes (2007):
[...]uma das
maiores dificuldades que o processo apresenta é a necessidade de conviver com a
insegurança de um processo criativo, saber lidar com as incertezas da
expectativa da emergência de novos modos de compreensão dos fenômenos
investigados. Os resultados da auto-organização não têm tempo certo para se
manifestarem, o que causa apreensão e angústia com as quais os pesquisadores
precisam saber lidar. (GALIAZZI; MORAES, 2007, p. 78).
1. EDUCAÇÃO
TECNOLÓGICA
O tema Educação Tecnológica não é uma novidade deste século, tão pouco
do anterior. Guardada as diferenças contextuais, o tema já era discutido por
Marx e Engels (1866) no século XIX. O ensino tecnológico é colocado em dois
textos, ainda contemporâneos, como o centro pedagógico da escola do futuro. Nas
Instruções (1866), coloca-se em primeiro lugar a formação intelectual. Em O
Capital Marx (1988) fala do Ensino Tecnológico como germe do ensino do futuro
para todas as crianças (e não apenas para os filhos dos operários), como “único
modo de produzir homens omnilaterais”. Não se trata apenas de interpretar o
mundo, mas sim de transformá-lo.
Entender o que propriamente seja Educação Tecnológica é um pré-requisito
para interpretação e colocação desse estudo.
Parafraseando a frase imortalizada por Fernando Pessoa: Navegar é
preciso, Educação Tecnológica não é preciso. Navegar é preciso? Sim, navegar é
uma atividade precisa, navegava-se com bússolas e astrolábios, hoje com
satélites e GPS. Educação Tecnológica
não é precisa? Não. Sua definição é altamente (im)precisa.
Definir educação tecnológica é como definir o sabor da laranja, uma
tarefa difícil, já que existem diferentes tipos com diferentes sabores, cada um
deles com diferentes nuances.
A laranja tem sabor essencialmente cítrico, com nuances mais ou menos
doces, mais ou menos azedas e ácidas, ou mais ou menos amargas. Mais ainda, o
sabor da mesma laranja pode ser percebido de forma diferente por pessoas
distintas, uma laranja que um adulto considere doce pode ser considerada como
extremamente azeda por uma criança.
Da mesma forma, a educação tecnológica não possui um significado único,
exclusivo e possui diferentes concepções.
Em uma visão restrita, a Educação Tecnológica pode ser definida como
aquela voltada para a qualificação técnico-profissional, ou seja, pessoas para
postos de trabalho. Esta concepção se restringe ao desempenho prático, ao
mercado de trabalho e à educação para novas tecnologias, não apresentando
preocupações relacionadas com o ser humano enquanto cidadão crítico e atuante
frente à realidade econômico-social.
Um olhar mais aprofundado mostra que a Educação Tecnológica vai muito
além, não se limita a aplicação de conhecimentos, mas através do entendimento
das transformações cientificas e tecnológicas, desenvolve novos conhecimentos.
De acordo com Bastos (1995):
O avanço do
conhecimento, a incorporação progressiva de novos métodos e técnicas de
trabalho e produção, além de um novo desenho do mercado de trabalho, trazem
repercussões diretas sobre a formação e a capacitação de recursos humanos que
atuam nos diversos setores da economia. (BASTOS, 1995, p.
10, APPUD CARVALHO, MELLO, SILVERIO, 1997)
O papel da educação tecnológica não é apenas especializar mão de obra,
mas formar o cidadão consciente e com senso crítico e com uma visão macro da
sociedade.
Glaucia Brito e Ivoneia de Purificação (2008) nos fornecem uma descrição de como deve ser a Educação
Tecnológica:
É aquela
que prepara para a vida, para tomar decisões, para integrar conhecimento.
Trata-se de uma educação que prepara o indivíduo para agir, não apenas reagir;
planejar e não apenas executar.” (BRITO;
PURIFICAÇÃO 2008, p. 111)
É uma educação voltada para a formação do cidadão e do profissional com
espírito inventivo e com visão crítica das tecnologias. Não se designa apenas
ao emprego de conhecimentos, mas vai além, preparando indivíduos para
desenvolvê-los a partir da compreensão das transformações científicas e
tecnológicas contemporâneas.
Uma definição concisa de Educação Tecnológica nos é apresentada por
Manoel Maravalhas (2020):
A educação tecnológica integra o saber e o fazer, levando ao pensar e
repensar para saber fazer. Propaga conhecimentos e técnicas, abrangendo várias
modalidades de formação e capacitação. Se distingue por seu caráter global e
unificado da formação técnico profissional, integrada a conscientização do
trabalhador e da construção da cidadania. Contribui de forma contundente com o
desenvolvimento econômico e social do país, propagando conhecimentos e
técnicas, privilegiando as vertentes do trabalho, do conhecimento
universalizado e da inovação tecnológica.
Se situa simultaneamente no âmbito da educação e qualificação, da
ciência e tecnologia, do trabalho e produção, enquanto processos
interdependentes na compreensão e construção do progresso social reproduzidos
nas esferas do trabalho, da produção e da organização da sociedade.
É uma
educação que não se distingue pela divisão de níveis e de graus de ensino.
Assim, não se trata de uma educação à margem da educação fundamental, de
segundo grau ou superior, e nem deverá ser uma educação ministrada em círculos
fechados, porém um ensino e uma aprendizagem constantes, necessários à
compreensão das bases técnicas e das inovações tecnológicas, enquanto elemento
necessário para contribuir ao desenvolvimento econômico e social do país.
(MARAVALHAS, 2020)
Face ao exposto, concluímos que se deve aplicar a educação tecnológica
de modo que venha a contribuir para o exercício crítico na construção de
saberes, considerando as relações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade.
Saindo do contexto do conceito de educação tecnológica, consideramos
indispensável abordar o tema da utilização da tecnologia em sala de aula, uma
vez que vêm se impondo a escola que ela se inter-relacione com esse universo
tecnológico em prol do ensino. É inequívoco que sua utilização pode fazer com
que a aprendizagem se torne mais expressiva e principalmente mais atraente,
porém apenas equipar as escolas não garante uma utilização efetiva na
metodologia educacional. A tecnologia incita docentes e gestores a missão de
dominar não apenas as ferramentas tecnológicas como também as suas
possibilidades de utilização pedagógica.
Nesta conjuntura, é primordial o investimento na formação continuada do
professor, possibilitando que a comunidade escolar se aproprie efetivamente dos
processos tecnológicos e desenvolva a capacidade de antecipar e controlar seus
efeitos, gerando possibilidades de diversificação no processo de ensino e
aprendizagem
Na contemporaneidade o domínio da tecnologia configura uma das
principais formas de inserção social. Conforme afirma Marco Silva (2005): “se a
escola não inclui a tecnologia na educação, está na contramão da história,
alheia ao espírito do tempo, criminosamente produzindo exclusão social ou da
cibercultura”. (SILVA, 2005, p. 63)
É inegável os benefícios da ciência e da tecnologia para a humanidade,
assim como também é inquestionável a desigualdade no acesso aos seus benefícios
e malefícios.
Martins (2003) completa dizendo que:
Todos os
indivíduos (excluindo os que vivem em estado de pobreza extrema e/ou afastados
de sociedades organizadas), conhecem e utilizam artefactos tecnológicos
independentemente do conhecimento que possuem sobre o seu funcionamento ou
processo de produção. Com efeito, os sistemas industriais de produção em série
têm tornado acessíveis a mais pessoas, em melhores condições e a custos mais
baixos, um número crescente de bens (materiais, objectos e serviços),
potenciadores de melhor qualidade de vida, embora geradores de novos problemas
(por exemplo, doenças profissionais) (MARTINS, 2003, p. 294)
É indiscutível o papel da tecnologia na melhora da qualidade de vida da
sociedade, mas por outro lado não podemos esquecer os problemas gerados por ela
e sua distribuição desigual.
Fourez (1995) quando pondera sobre o papel da divulgação científica
ressalta que é necessário oferecer conhecimentos científicos suficientemente
práticos para que as pessoas possam:
ponderar sobre as decisões
com melhor conhecimento de causa [...] para ser um indivíduo autônomo e um
cidadão participativo em uma sociedade altamente tecnicizada deve-se ser
científica e tecnologicamente ‘alfabetizado (FOUREZ, 1995, p. 222).
A educação
pode provocar uma mudança de paradigmas, gerando novas formas de consumir,
desenvolvendo soluções econômicas, políticas e sociais, gerando consumidores
racionais, seja capacitando o indivíduo a desenvolver tecnologias eficientes
que utilizem menos e melhor os recursos naturais, seja conscientizando para que
se consuma menos e melhor, retransformando os consumidores em pessoas. A
educação tecnológica tem um papel importante na redução das desigualdades
sociais, no desenvolvimento socioeconômico e no fortalecimento da cidadania.
A educação tecnológica é a aquela que vai levar o cidadão a refletir,
por exemplo, sobre ao construir sua casa na montanha ou na praia construir ou
não muros de vidro, para admirar os pássaros, que irão, em seu voo se chocar
contra este mesmo muro. Vai levar os diretores dos Centros de Tratamento
Intensivo, a refletirem sobre seus protocolos que proíbem o uso de celulares
pelos visitantes e são tolerantes com outros dispositivos semelhantes, como notebooks
e tablets, por exemplo.
Esta é a Educação Tecnológica a qual nos referimos neste estudo.
2. O
PARADIGMA EMERGENTE
Santos, B. (1995) discorre sobre um novo paradigma que surge lentamente,
que ele denomina como sendo “paradigma de um conhecimento prudente para uma
vida decente” (SANTOS,B., 1995, p.37). O autor também enfatiza que:
[...] a
natureza da revolução científica que atravessamos é estruturalmente diferente
da que ocorreu no século XVI. Sendo uma revolução científica que ocorre numa
seriedade ela própria revolucionada pela ciência, o paradigma a emergir dela
não pode ser apenas um paradigma científico (o paradigma de um conhecimento
prudente), tem de ser também um paradigma social (o paradigma de uma vida
decente). (SANTOS,B., 1995, p.37).
Este novo paradigma surge fundamentado da interligação entre ciências
naturais e ciências sociais, e se estrutura em quatro teses apresentadas por Santos,
B. (1995)
A primeira tese se denomina “todo conhecimento científico-natural é
científico social” desta forma se rompe
a dicotomia entre ciências naturais e ciências sociais. “A progressiva fusão das ciências naturais e sociais
posiciona a pessoa, como autor e sujeito do mundo, no centro do conhecimento”
(SANTOS, B., 1995, p.44). O autor considera ainda que: “sujeito, que a ciência
moderna lançara na diáspora do conhecimento irracional, regressa investido da
tarefa de fazer sobre si uma nova ordem científica” (SANTOS, B., 1995, p.43).
A segunda tese para o paradigma que emerge se intitula “todo conhecimento
é local e total”, contestando a fragmentação e disciplinarização do saber
científico, predominante no paradigma moderno, tendo como horizonte a
totalidade universa e indivisa. É local porque: “constitui-se em redor de temas
que em dado momento são adotados por comunidades interpretativas concretas como
projetos de vida locais” (SANTOS, B., 1995, p.47), ou seja, os objetos
pesquisados pertencem a determinados grupos e, são investigadas de forma
profunda e englobante. Ademais, esse conhecimento localizado é incitado a
mover-se para outros ambientes onde possam ser reempregados.
O autor dispõe ainda que para o estudo de um objeto é necessário que se
advenha de uma perspectiva multidisciplinar, isto é, o objeto que se intenta
pesquisar precisa ser analisado através de perspectivas de âmbitos metodológicos e teóricos heterogêneos:
A ciência
pós-moderna não segue um estilo unidimensional, facilmente identificável; o seu
estilo é uma configuração de estilos construída segundo o critério e a imaginação
pessoal do cientista. A tolerância discursiva é outro lado da pluralidade
metodológica. Na fase de transição em nos encontramos são já visíveis fortes
sinais deste processo de fusão de estilos, de interpretações entre cânones da
escrita. (SANTOS, B, 1995, p. 49)
A terceira tese intitulada “todo
conhecimento é autoconhecimento” infere que
a ciência não descobre, cria e, este ato criativo é protagonizado pelos
cientistas, que possui trajetórias de vida, valores e crenças próprios. O
conhecimento científico conduz as práticas e ensina a viver, transformando-se
na chave do entendimento de um mundo que
ao contrário de ser controlado deve ser contemplado.
Hoje não se
trata tanto de sobreviver como de saber viver. Para isso é necessária uma outra
forma de conhecimento, um conhecimento compreensivo e íntimo que não nos separe
e antes nos una pessoalmente ao que estudamos. (SANTOS, B., 1995, p. 53)
É primordial cessar a dicotomia
sujeito/objeto e adotar outro padrão desta relação na prática científica. O
objeto passa a ser uma extensão do sujeito, resultando que, ao se realizar um
estudo, se adquirida conhecimento diretamente sobre o objeto e indiretamente
sobre o sujeito.
A última tese designada “Todo o conhecimento científico visa
constituir-se em senso comum” visa
remover a ideia notabilizada pela
ciência moderna de que o senso
comum é superficial, ilusório e falso, objetivando uma reaproximação do
conhecimento científico com o senso comum, conciliando valores da vida
cotidiana ao conhecimento científico.
A ciência
pós-moderna, ao sensocomunizar-se, não despreza o conhecimento que produz
tecnologia, mas entende que, tal como o conhecimento se deve traduzir em
autoconhecimento, o desenvolvimento tecnológico deve traduzir-se em sabedoria
de vida (SANTOS, B., 1995, p.57).
Antes menosprezado, o senso comum passa a ser reconhecido pela ciência,
possibilitando, mesclar a relação dos indivíduos com o mundo, visto que: “senso
comum faz coincidir causa e intenção; [...]é prático e pragmático; [...]é
transparente e evidente; [...]é indisciplinar e imetódico; [...]é retórico e
metafórico; [...]não ensina, persuade” (SANTOS, B., 1995, p.56).
Essa aproximação do senso comum com a ciência pôde ser constatada no
Carnaval de 2020, onde A escola de samba paulista Águia de Ouro, apostando no
valor do saber, abordou a importância da inovação e da sabedoria. A escola
trabalhou tanto o lado bom quanto o lado nocivo do saber, fazendo um panorama
histórico sobre a evolução do homem e as grandes invenções, passando desde a
pré-história até a modernidade ressaltando a esperança em tecnologias digitais
e robóticas, pregando um futuro ecológico e próspero, apesar das dificuldades.
Os riscos das novas tecnologias, como as guerras e a bomba atômica, também
foram lembrados pela agremiação. Os carros seguiram uma cronologia imaginada,
saindo da Idade da Pedra até um futuro, ainda utópico, com uma série de robôs
ao serviço da humanidade. Falando sobre Educação, Ciência, Tecnologia e
Sociedade a Águia de Ouro foi a campeã do carnaval 2020 de São Paulo, aclamada
pelo senso comum.
Desta forma, o senso comum, viabilizará que as variadas formas de
conhecimento atuem mutuamente, orientando as práticas do ser humano e dando
sentido à vida, ou seja, o saber viver, uma vez que coincidem causa e intenção.
3. AUTORES
PÓS CONTEMPORÂNEOS
É inegável a contribuição de autores pós contemporâneos para as
temáticas Educação Tecnológica e Paradigma Emergente. Assim sendo, neste
capítulo estes temas serão analisados tendo como base o pensamento crítico dos
autores Yuval Noah Harari, Kai Fu Lee, Maria Patricio Arruda, e Leda Portal.
Esses autores indicam outras configurações dos temas com o suporte de suas
pesquisas. Suas teorias procuram caminhos para lidar com as contradições que
caracterizam este percurso rumo a um novo paradigma da ciência e da educação.
3.1. Lições para o século XXI
Yuval Noah Harari, (2018) em seu livro 21 lições para
o século 21, expõe os principais desafios que a humanidade enfrenta, e irá
enfrentar neste século. Dentre eles, a questão do desenvolvimento das novas
tecnologias e seus impactos na sociedade.
Harari (2018) fala sobre a ameaça que a ascensão da
tecnologia trás para a perda de empregos e acredita que a principal barreira a
ser enfrentada é o alto nível de especialização que os novos empregos irão
exigir:
O livro não tenta cobrir todos os impactos das novas
tecnologias. Embora a tecnologia encerre muitas e maravilhosas promessas, minha
intenção é destacar as ameaças e os perigos que ela traz consigo. (HARARI,
2018, p. 15)
“Num mundo inundado de informações irrelevantes,
clareza é poder.” (HARARI, 2018, p. 11).
Com essa frase Harari, inicia a introdução de livro “21 lições para o
século 21”. Harari (2018) apresenta uma visão do mundo onde poucos conseguem
ter uma visão clara sobre o futuro da humanidade e quais são as questões
essenciais e agendas urgentes. Harari (2018) explora o presente e nos
transporta por uma viagem pelos assuntos cruciais da contemporaneidade. Seu
novo livro trata sobre o desafio de manter o foco coletivo e individual em face
a mudanças frequentes e desconcertantes.
A realidade é formada por muitas tramas que não podem
ser compreendidas apenas pela trama, local, mas, por sua visão global. Harari (2018)
tenta cobrir diferentes aspectos de nosso impasse global estimulando a
reflexão, e ajudando os leitores a tomar parte em algumas das principais
conversas do nosso tempo.
Harari (2018) traz um alerta importante para a
educação. Neste mundo de mudanças rápidas e profundas, a escola não deveria
preparar apenas para o Enem, mas para a vida. Ler e se informar, como hábito é
a base para um pensamento autônomo, que não concorda com o que não compreende;
que sabe expor suas ideias e argumentar. A escola que pretende preparar para o
futuro deve desenvolver em seus alunos: “a habilidade para lidar com mudanças, aprender coisas novas e preservar
seu equilíbrio mental em situações que não lhe são familiares. Ter a capacidade
de se reinventar várias vezes”. (HARARI, 2018, p. 323)
Harari (2018) ressalta a importância da educação na
compreensão da realidade assustadora que vivemos. O principal alerta para os
educadores é para a conscientização sobre as novas formas de manipulação e
vigilância que estão sendo possibilitadas pelas tecnologias de inteligência
artificial e compartilhar e incentivar essa reflexão crítica os estudantes.
Em um mundo que muda a todo instante com novas
oportunidades e desafios surgindo todos os dias, o autor pergunta: “Como
podemos nos preparar e a nossos filhos para um mundo repleto de transformações
sem precedentes e de incertezas tão radicais?” (HARARI, 2018, p. 319).
Mal podemos prever com exatidão como o mundo estará
daqui a um ano, como podemos nos preparar para o mundo em 2050?
As dúvidas
sobre o futuro da educação são muitas, Harari
(2018) afirma que: “Não podemos estar certos quanto às especificidades, mas a
mudança em si é a única constante” (HARARI, 2018, p. 324), e que o padrão
vigente na educação escolar está falido. Os algoritmos da inteligência
artificial serão capazes de fazer tudo no futuro.
Harari (2018)
critica o ensino de programação e idiomas para crianças, pois, segundo ele: “a Inteligência artificial pode programar
softwares muito melhor que os humanos” (HARARI, 2018, p. 323) e aplicativos de
tradução conduzirão bem uma conversa em qualquer idioma. O autor sugere que a melhor habilidade que
se pode ensinar é a reinvenção e cita que especialistas pedagógicos argumentam
que a escola deveria ser transformada em ensinar “os quatro Cs” – pensamento crítico,
comunicação, colaboração e criatividade:
O mais importante de tudo será a habilidade para lidar
com mudanças, aprender coisas novas e preservar seu equilíbrio mental em
situações que não lhe são familiares. Para poder acompanhar o mundo de 2050
você vai precisar não só inventar novas ideias e produtos – acima de tudo, vai precisar reinventar a
você mesmo várias e várias vezes. (HARARI, 2018, p. 323)
De forma mais
abrangente, no lugar de desenvolver habilidades técnicas que estarão
ultrapassadas em poucos anos, Yuval Noah Harari propõe que os alunos aprendam
habilidades que possam se aplicar a diferentes contextos, sendo capazes de
lidar com as constantes mudanças que estão por vir.
Ao contrário
de apenas receber informações, os alunos devem, principalmente, estar
preparados para a mudança. Esse é o futuro da educação.
Harari nos
oferece uma visão que nos permite entrever o caminho que o mundo pode seguir no
século 21, com a Inteligência Artificial mudando praticamente todos os aspectos
da nossa vida e o futuro da educação quebrando paradigmas nas práticas
educacionais vigentes. O modelo atual não consegue criar um paradigma
pedagógico que seja capacitador do juízo crítico. Estamos diante de uma mudança
sistemática nunca antes vista. Não sabemos mais o que ensinar para as nossas
crianças pois a qualquer momento uma máquina pode fazer absolutamente qualquer
coisa melhor que elas.
Se a mudança
é a única constante, a educação é chave para o enfrentamento dos desafios que
esse mundo nos impõe, ela deverá ser voltada para um aprendizado para além da
mera técnica, ensinando-nos a pensar quando tudo mais em volta se transformar
rapidamente.
3.2. A inteligência Artificial
e a Educação Tecnológica
A inteligência artificial (IA) é
uma área das ciências da computação, formada por um conjunto de algoritmos que
procura simular o processo humano de aprendizado. Está presente em diversas
áreas, como no mercado financeiro, no marketing, na comunicação, na medicina e
também na área pedagógica.
Uma
abordagem inovadora para a inteligência artificial, o aprendizado profundo[2], pode fazer um trabalho melhor do
que os humanos na identificação de rostos, no reconhecimento de discurso e na
concessão de empréstimos.
Durante
décadas, a revolução da inteligência artificial sempre parecia estar distante.
Porém, com o desenvolvimento do aprendizado profundo nos últimos anos, essa
revolução finalmente chegou, e irá inaugurar uma era de forte aumento da
produtividade, mas também de perturbações generalizadas na sociedade com
grandes efeitos sociopsicológicos nas pessoas, à medida que a IA tomar conta
dos empregos humanos em todas as indústrias. Lee (2019) nos alerta que:
A
ameaça aos empregos está chegando muito mais depressa do que a maioria dos
especialistas previa, e ela não discriminará pelo nível de especialização dos
cargos, ao contrário, atingirá tanto os altamente treinados quanto aqueles com
baixa escolaridade. [...] Essa mesma tecnologia destruidora de empregos chegará
em breve a uma fábrica e a um escritório perto de você. (LEE, 2019, p,18)
Neste
capítulo, com o auxílio de Kai Fu Lee, procuramos pistas de como a integração
da tecnologia na educação pode
beneficiar o sistema de ensino.
Em
seu livro “Inteligência Artificial – como os robôs estão mudando o mundo, a
forma como amamos, nos relacionamos, trabalhamos e vivemos”, Lee (2019) conta como o diagnóstico de um câncer em
estágio avançado fez com que ele repensasse sua relação com o trabalho, seu legado
e os próprios rumos da inteligência artificial, se perguntando sobre como a
tecnologia poderia ser utilizada para resolver alguns dos maiores problemas que
assolam a sociedade neste início de milênio, como a miséria, a desigualdade e a
dificuldade de acesso à educação.
No
livro, fica claro que compreender inteligência artificial é obrigatório para
pensar a educação do futuro. É por meio da educação que criaremos o antídoto
para os novos desafios.
Por
“inteligência artificial” Lee entende algo muito específico: a capacidade de
máquinas processarem grandes quantidades de dados para resolver problemas
específicos.
Kai-Fu
Lee foi responsável por criar a equipe da Sirí na Apple, depois fez
trabalhos para Microsoft em
Inteligência Artificial e a seguir liderou a operação do Google na
China. Lee tem uma visão diferente sobre IA que Harari e o considera apenas um
estudioso, mas não autoridade que pode opinar pois não entende da parte prática
desses desenvolvimentos. Lee acredita sim que as máquinas poderão fazer
praticamente todas as nossas tarefas, o que acarretará problemas sérios de
desemprego, mas ele acha que robôs jamais terão o nível de bom senso de uma
criança ou nem sequer chegar perto do Amor. O que ele considera o grande
diferencial humano, que nenhuma máquina conseguirá reproduzir.
Nos
debruçamos no relato de Kai Fu Lee focando nossas lentes em sua análise e
conselhos para a Educação Tecnológica. No capítulo cinco, Lee dedica uma sessão
“Uma educação alimentada por OMO” (LEE, 2019, p. 149) para tratar do tema da
educação. O termo OMO – Online Merge Offline - é utilizado pelo autor
para definir ambientes onde o online se confunde com o offline.
Lee
(2019) justifica o modelo atual de educação que ainda segue o modelo fabril do século XIX, onde os alunos são
forçados a aprender na mesma velocidade, da mesma maneira, no mesmo lugar e ao
mesmo tempo onde: “as escolas adotam uma abordagem de ‘linha de montagem’,
passando as crianças de uma série para a outra a cada ano, em grande parte
independentemente de terem absorvido ou não o que foi ensinado.” (LEE, 2019, p.
149), pelas limitações de recursos de
ensino que balizam o tempo e a atenção do professor para ensinar, monitorar e
avaliar os alunos. Mas esclarece que:
“As habilidades de percepção, reconhecimento e recomendação da IA podem
adaptar o processo de aprendizado a cada aluno e liberar os professores para
mais tempo de instrução individual” contribuindo para extinguir essas
limitações.
Para Lee as práticas educativas com tecnologia de IA
podem ocorrer tanto no ensino em sala de aula, lição de casa e exercícios como
em aulas personalizadas, provas e notas. Nestes contextos pode-se construir o
alicerce da educação baseada em IA, que é o perfil individualizado de cada
aluno. Lee (2019) completa afirmando que:
Esse
perfil contém uma contabilidade detalhada de tudo que afeta o processo de
aprendizado do aluno, como quais conceitos eles já entenderam, em quais têm
dificuldades, como reagem a diferentes métodos de ensino, se prestam atenção
durante a aula, com que rapidez respondem às perguntas, e quais incentivos os
motivam. (LEE, 2019, p. 149).
Lee sugere que no ensino presencial as escolas adotem
um modelo de professor duplo, combinando uma palestra remota de um educador de
alto nível com a atenção mais pessoal do professor em sala da aula. As
palestras podem ser transmitidas simultaneamente para várias salas de aula e o
professor remoto faz perguntas que os alunos devem responder por dispositivos
portáteis em tempo real, demonstrando se compreendem os conceitos. Uma câmera
pode usar o reconhecimento facial e análise de postura para avaliar o nível de
participação, atenção e compreensão dos alunos, se baseando em gestos, como
assentir, balançar a cabeça e expressões de perplexidade. Esses dados alimentam
o perfil do estudante em tempo real com uma imagem do que os alunos sabem e em
que parte precisam de ajuda extra.
O autor complementa afirmando que a Educação com IA
não se limita a sala de aula. O perfil do estudante pode ser combinado com
algoritmos que geram perguntas e criam tarefas de casa personalizadas:
“Enquanto as crianças espertas terão que completar problemas de nível mais alto
que as desafiam, os alunos que ainda precisam entender o material recebem
perguntas mais fundamentais e, talvez, exercícios extras.” LEE, 2019, p. 150).
Durante todo o processo o desempenho, cada aluno alimenta seu perfil ajustando
os problemas subsequentes para reforçar a compreensão.
O autor sugere também que programas de reconhecimento
de fala sejam usados no ensino de idiomas: “Os algoritmos de reconhecimento de
fala, de alto desempenho, podem ser treinados para avaliar a pronúncia dos
alunos, ajudando-os a melhorar a entonação e o sotaque, sem a necessidade de um
falante nativo” (LEE, 2019, p. 150).
Lee (2019) salienta que essas ferramentas também podem
ser usadas para aliviar o trabalho do professor nas tarefas de avaliação e
correção de conceitos básicos, liberando-os para que passem mais tempo com os
alunos discutindo conceitos de níveis mais altos.
O perfil do aluno traçado com tecnologia IA, também
pode auxiliar os alunos que estão ficando para trás, notificando os pais sobre
a situação de seus filhos com um relato preciso de quais conceitos o aluno está
tendo dificuldade e os pais podem usar essas informações para conseguir um
tutor remoto. A tutoria remota já é uma realidade, mas com o auxílio da IA,
essas plataformas podem coletar dados sobre o desenvolvimento dos alunos. Esses
dados alimentam continuamente o perfil dos estudantes, ajudando as plataformas
a filtrar os professores adequados para cada aluno.
Boa parte das ferramentas citadas aqui já existem e
podem ser implementadas nas escolas, constituindo um novo paradigma de educação
com tecnologia IA, que unirá os mundos on-line e off-line e criar uma
experiência de aprendizagem adaptada às necessidades e habilidades de cada
aluno. Grande parte do trabalho físico do professor já pode ser feito por
máquinas, mas a interação social não pode ser automatizada. Professores
estabelecem relações humanas no processo ensino-aprendizagem e precisam
entender que cada aluno, dentro de suas particularidades e especificidades,
aprende de formas diferentes.
Kai Fu Lee (2019) prevê um cenário onde a IA irá
extinguir alguns empregos e o trabalhador terá que se reciclar e desenvolver
novas aptidões ao longo da vida. Neste cenário as plataformas de educação
online darão aos trabalhadores as ferramentas que precisam para se tornarem
aprendizes por toda a vida, atualizando constantemente suas habilidades e
mudando para novas profissões que ainda não estão sujeitas à automatização, Lee
alerta que essa abordagem não é suficiente para resolver o problema: “À
medida que a IA conquistar novas profissões, os trabalhadores serão forçados a
mudar de ocupação a cada poucos anos, tentando adquirir depressa habilidades
que os outros levaram uma vida inteira para conseguir.” (LEE, 2019, p. 241).
Lee (2019) acredita que a longo prazo a educação é a
melhor solução para os problemas de emprego relacionados a IA. Para ele a
Educação seria um dos pilares de um novo contrato social que valorizasse e
recompensasse as atividades socialmente benéficas: “a educação pode variar de
treinamento profissional para os empregos da era da IA até aulas que poderiam
transformar um hobby em uma carreira” (LEE, 2019, p.260)
A ideia não é substituir os professores, mas trabalhar
em conjunto, o que pode resolver muitos dos problemas atualmente enfrentados
pelo sistema educacional. Ao invés de ser extinto, o número de professores pode
aumentar consideravelmente com cada
professor encarregado de um número menor de alunos que poderá ensinar em
conjunto com programas de educação em IA.
Ninguém sozinho terá todas as respostas para a
emaranhada teia de questões que enfrentamos, teremos que recorrer a diversas
fontes de sabedoria. Essa sabedoria incluirá reformas pragmáticas em nossos
sistemas educacionais, nuances sutis nos valores culturais e profundas mudanças
na forma como concebemos o desenvolvimento, a privacidade e a governança. Neste
contexto, Lee 2019) afirma que:
Ao
renovar nossos sistemas educacionais, podemos aprender muito com a adoção da
educação inteligente e talentosa da Coreia do Sul. Esses programas buscam
identificar e perceber o potencial das principais mentes técnicas do país, uma
abordagem adequada para criar a prosperidade material que pode ser amplamente
compartilhada por toda a sociedade. Escolas no mundo todo também podem tirar
lições de experiências norte-americanas em educação social e emocional,
promovendo habilidades que serão inestimáveis para a força de trabalho centrada
no ser humano do futuro. (LEE, 2019, p. 270)
A nova era da educação já é uma realidade em diversas
instituições ao redor do mundo. Impulsionadas pela tecnologia, estão adotando
modelos disruptivos de aprendizagem – cujos pilares são a personalização do
ensino, estímulo à experimentação dos alunos e a combinação entre a sala de
aula e o ambiente online.
O novo modelo educacional deve priorizar o
autodesenvolvimento do aluno e a construção de valores, conhecimentos e
habilidades a partir da vivência de diferentes atividades. Um ponto importante
é associar as práticas a projetos interdisciplinares, que possam não apenas
desenvolver as competências socioemocionais dos alunos, mas também oferecer
melhorias para a sociedade. Além disso, as ferramentas devem estimular a
capacidade dos discentes para lidar com novas tecnologias e inovações. Isso,
aliás, não é um desafio restrito aos estudantes. O papel do professor neste
processo de integração de uma tecnologia digital no sistema educacional é
fundamental. É necessário que esse professor conheça bem a plataforma, que
saiba como extrair os dados de que necessita para seu planejamento e avaliação
e, acima de tudo, que saiba como intervir no processo de ensino-aprendizagem a
partir dessa análise. É necessário ressignificar a formação de professores,
para que sejamos coerentes com o discurso e a prática.
As dúvidas são muitas e com bem disse Yuval Harari: “Não
podemos estar certos quanto às especificidades, mas a mudança em si é a única
constante.” (HARARI, 2018, p.324). Vale ressaltar que a aprendizagem não se resume
somente aos conhecimentos cognitivos, mas também às habilidades e competências
socioemocionais, cada vez mais essenciais para a formação do cidadão pós
contemporâneo. Esse aprendizado se constrói na relação com o outro e, portanto,
é genuinamente humano. E a escola segue sendo um espaço privilegiado para que
esse aprendizado aconteça. A IA pode nos ajudar em algumas coisas, mas não em
tudo. Neste novo cenário onde as tecnologias emergentes como a inteligência
artificial se integram com a educação, o papel do educador é ainda mais
fundamental.
3.3. Mudanças paradigmáticas
no modo de educar
Arruda e
Portal (2012), manifestam-se junto com Harari e Lee de que “a mudança em si é a
única constante” (HARARI, 2018, p. 324) e que “a educação é a melhor solução de
longo prazo”. (LEE, 2019). Para as autoras:
“os educadores só têm uma alternativa: mudar. Insistir no paradigma
tradicional de ensino pode representar um risco muito grande para um mundo que
clama por criatividade e inovação.” (ARRUDA; PORTAL, 2012, p. 204).
As autoras
vão além, enfatizando que as mudanças necessárias passam, obrigatoriamente por
um processo de revisitação da formação de educadores, para elas: “Discutir o
futuro da formação de educadores ganha força na reforma do pensamento“ (ARRUDA;
PORTAL, 2012, p. 200).
Acrescentam
que a renovação necessária no processo de formação de professores passa pelo estabelecimento
de pontes entre as diferentes disciplinas: Para Arruda e Portal (2012):
Se as
universidades pretendem ser agentes válidos na renovação do processo de
formação de professores, têm, primeiramente, que reconhecer a emergência de um
novo tipo de conhecimento - o conhecimento transdisciplinar - complementar ao
conhecimento disciplinar tradicional (ARRUDA; PORTAL,
2012, p. 201)
A educação
transdisciplinar rompe fronteiras na busca por novos saberes, por novos conhecimentos
e busca compreender a multiplicidade de paradigmas que constituem o universo
educacional, promovendo um repensar contínuo.
A educação
transdisciplinar propõe um processo de formação ampliada porque ultrapassa as
fronteiras disciplinares. Essa abordagem aproxima diversas disciplinas e áreas
do conhecimento e se utiliza de metodologias que favoreçam a integração de
todos os especialistas, em função de seus conhecimentos e saberes (MORIN, 2003,
appud ARRUDA; PORTAL, 2012, p. 203)
Parafraseando a frase imortalizada por Camões, as pesquisadoras
consideram que educar não é preciso, para elas: “as práticas pedagógicas são
complexas e imprecisas impõe-se a necessidade de um pensamento problematizante
capaz de incorporar mudanças paradigmáticas no modo de educar” (ARRUDA; PORTAL,
2012, p. 200) e completam afirmando que:
“A mudança do paradigma educacional depende de educadores maduros, curiosos e
abertos, que saibam refletir e dialogar.” (ARRUDA; PORTAL, 2012, p. 206).
Entendo que,
de uma forma geral, os docentes (uns mais, outros menos) percebem as mudanças
que estão ocorrendo na educação. De acordo com Arruda e Portal 2012):
A educação
é um fato eminentemente histórico, suas modificações vão aparecendo na
proporção em que os modelos adotados se revelam inadequados para satisfazer as
necessidades emergentes. Esse é o ponto de partida para a discussão sobre a
necessidade de renovação da prática pedagógica do docente da educação superior
frente aos desafios propostos por uma sociedade em vertiginosa mudança. (ARRUDA;PORTAL,
2012, p. 200).
Ainda de acordo com Arruda e Portal (2012), o paradigma educacional
vigente que: “promove a aprendizagem ao invés do ensino” está em processo de
superação. “Esta nova orientação coloca o controle do processo de aprendizagem
nas mãos de quem aprende [...] a educação não é somente a transferência de
conhecimento, mas um processo de construção em parceria”. (ARRUDA;PORTAL,
2012, p. 206).
Ratificamos
que, para nós, a educação tecnológica a qual nos referimos é aquela que pode
provocar uma mudança de paradigmas, sempre gerando mudanças que nos
transformam. Como já dissemos, consideramos que o processo de aprendizagem só é
legítimo quando além de efetuar uma mudança naquele que aprende,
simultaneamente provoca uma mudança naquele que ensina, pois é desta forma que
a escola vem se transformando.
Acreditamos
ser consenso a necessidade urgente de
refletir as práticas de educação, que, apesar dos discursos contrários, na
prática ainda estão vigentes. Mais do que nunca a educação precisa buscar novas
formas e alternativas de modo que os indivíduos possam fazer do processo de
aprendizagem a sua própria vida. A superação das dificuldades atuais e das que estão
por vir, passa sem dúvida pela educação, que tem um papel importantíssimo de
abrir o leque de possibilidades para o educando. Segundo Arruda e Portal (2012):
Nessa
primeira década do século XXI, as discussões em torno da educação se encaminham
para um ponto que parece convergente: o professor precisa ser um educador e não
mais um instrutor, transmissor conteudista de conhecimento. Outro ponto de
destaque é a necessidade desse educador assumir uma posição não só de
ensinante, mas também de aprendente, pois vivemos um tempo que nos desafia a
ensinar e a aprender ao mesmo tempo. Entretanto, muitos professores seguem
perpetuando o paradigma da “educação bancária, [...] e, nesse caso, não há
conhecimento, os educandos decoram e repetem mecanicamente algo pronto, de
forma vertical e antidialógica, reforçando um paradigma que educa para a
passividade e se opõe à educação para a autonomia.(ARRUDA; PORTAL, 2012, p. 199).
Toda esta
reflexão se estende sobre a figura do professor que não deve mais ser um
simples transmissor de conhecimentos, mas um orientador de aprendizagem que
além de mostrar os caminhos também orienta o aluno para que desenvolva um olhar
crítico que lhe permita reconhecer as trilhas que conduzem as verdadeiras
fontes de informação e conhecimento. O professor continua sendo insubstituível,
porém, é necessário que esteja atento as mudanças e assuma uma posição de
agente ativo e participativo na construção desse novo mundo, ajudando a formar
cidadãos conscientes e capazes de gerir a sua própria vida na sociedade.
Este início
de século exige uma mudança de atitude, o professor precisa ocupar o seu lugar
de destaque, estar motivado e ser um motivador. vivemos num período de
transição, onde o professor trabalha ainda com uma realidade do século passado,
e enfrenta muitas dificuldades diante das transformações sociais, ensinar é um
desafio, as questões educacionais são cada vez mais complexas. Conforme Arruda
e Portal (2012):
Já não
bastam conteúdos acumulados ao longo de anos de transmissão de conhecimentos.
Carecemos aprender a organizar e articular as informações que se encontram
disponíveis num universo de informações rápidas e fluidas, possibilitado pela
Internet, e repensar a educação [...] que, por sua complexidade, requer a
construção de um pensamento novo, capaz de articular e juntar o que antes se
pensava em separado (ARRUDA; PORTAL, 2012, p. 200).
Neste
sentido, ao buscar a inteligibilidade de novas práticas educativas que vá ao encontro
das novas tecnologias, as pesquisadoras nos levam a repensar, de forma crítica
e reflexivas as práticas educacionais como possibilidade de reforma do
pensamento e da prática pedagógica a partir do confronto e da reelaboração dos
saberes e fazeres docente.
Entendemos
que somente quando nos dispomos a refletir sobra a realidade e questionar as
verdades absolutas é que se estabelece transição paradigmática que dará início
a um processo de desvendamento de novas possibilidades.
4. CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Ao
concluirmos nosso mosaico, construído a
partir de diversas vozes que discursam sobre
a Educação Tecnológica e o Paradigma Emergente,
afastamos nosso olhar para observá-lo com um todo. Ouvir diferentes
vozes permitiu que diferentes valores fossem incorporados ao foco deste
trabalho. Pensar em uma educação capaz de preparar indivíduos capacitados a
interagirem de diversas formas em uma sociedade tecnologicamente desenvolvida
tem sido alvo de muitas discussões com características bastante variadas. O
fato de não haver uma congruência de opiniões sobre o que venha a ser a
Educação Tecnológica no Paradigma Emergente pode levar a visões errôneas e
propostas limitadas para a efetivação de uma educação consistente.
Estamos em um
período de crise e transição, com uma sucessão de mudanças em todos os campos
da sociedade, que acontecem de forma acelerada e categórica. Ficou evidente a
urgência de superar as práticas pedagógicas voltadas ao reducionismo e a falta
de reflexão do indivíduo e utilizar novas abordagens que rompam com a
fragmentação e a divisão do conhecimento.
Na
perspectiva de uma Educação Tecnológica vinculada ao Paradigma Emergente, uma
educação comprometida com a formação humana, é necessário tencionar uma
educação que alicerce a formação de indivíduos que sejam capazes de romper com
os limites postos pelas rotinas e disciplinas escolares. Uma educação que
constantemente se atualize e reveja seus
conceitos e formas de atuação, de forma que possa verdadeiramente garantir aos educandos
uma formação completa para a leitura do mundo, e nele atuar em função das
necessidades coletivas da humanidade, e ao mesmo tempo cuidar de sua
preservação, face às necessidades dos demais seres humanos e das gerações
futuras, possibilitando a formação de cidadãos capazes de restabelecer a
ligação entre o todo e as partes.
A educação do
futuro, que já se faz presente, deve ter como norte a formação humana integral,
desenvolvendo o processo de ensino-aprendizagem de forma que os conceitos sejam
apreendidos como sistema de relações de uma totalidade concreta que se pretende
explicar e compreender.
O papel da educação para o desenvolvimento necessário da consciência, é
transformar os indivíduos simultaneamente em educadores e educandos, superando
a dicotomia que divide a sociedade em educadores superiores e os educandos com
uma posição de subordinação aqueles.
Referências Bibliográficas
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia, São
Paulo, Martins Fontes, 2007.
ARRUDA, Maria Patrício; PORTAL, Leda Lísia Franciose. Saberes
E Fazeres Docentes: o dilema da reforma do pensamento e da prática
pedagógica do educador do século XXI, Revista Percursos, Florianópolis, v. 13,
n.1, 2012, p. 199-210.
BACCEGA, Maria Aparecida. Novas tecnologias, novas
sensibilidades. Revista Comunicação & Educação n. 18. São Paulo:
Segmento, 2000, p. 7-14.
BARBERO, Jeseus Martín. Retos culturales de la
comunicación a la educación. Elementos para una reflexión que está por
comenzar. Revista Reflexiones Académicas. No 12, Santiago: Universidad Diego
Portales, 2000, p. 45-57.
BARTHES, Roland. Lição.
Trad. de Ana Mafalda Leite. Lisboa: Edições 70, 1997
BASTOS, João Augusto De Souza. Educação
Tecnológica: conceitos, características e perspectivas. In: Revista
Tecnologia e Interação. Curitiba: CEFET-PR, 1998.
BARCELOS, Gilmara Teixeira; BATISTA, Silvia Cristina
Freitas. Análise do uso do celular no contexto educacional. RENOTE, v.
11, n. 1, 2013.
BOFF, Leonardo. A água
e a galinha: uma metáfora da condição humana. Petropolis, RJ: Vozes, 1997.
BRITO, Glaucia Da Silva;
PURIFICAÇÃO, Ivoneia da. Educação e Novas Tecnologias: um (re)pensar.
Curitiba: Ibpex, 2008.
CARVALHO,
Hélio Gomes de; MELLO, Diene Eire de; SILVÉRIO, Laíze Márcia. Educação tecnológica e suas diferentes
concepções: um estudo exploratório. Revista Educação e Tecnologia, n. 1,
1997. Disponível em: http://revistas.utfpr.edu.br/pb/index.php/revedutec-ct/article/view/1022/624 Acesso em: 07/05/2020.
COMIOTTO, Tatiana. CTS Uma Proposta Inovadora.
Disponível em: https://lapsiudesc.files.wordpress.com/2017/03/apostila___cts__uma_proposta_inovadora.pdf. Acesso: 29/02/2020.
DEWEY, John. Vida
e Educação. 6. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1967.
DURKHEIM, Émile.
Da divisão do trabalho social. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
FANTIN, Monica.
Cultura Digital e Aprendizagem Multimídia com o uso de Laptop na Escola.
Educação On-Line, v. 1, 2012, p. 74-90. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/20878/20878.PDF. Acesso em:
20/02/2020.
FAZENDA, Ivani Catarina Arantes. Integração e
interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia. 5.
ed. São Paulo: Loyola, 2002.
FAZENDA, Ivani
Catarina Arantes. Práticas Interdisciplinares na Escola. São. Paulo:
Cortez, 1993.
FOUREZ, Gerard.
A construção das ciências: introdução à filosofia e à ética das
ciências. São Paulo: UNESP/FUNDUNESP, 1995.
FREIRE, Paulo,
Educação como prática da liberdade. Série ecumenismo e Humanismo, 23ª
ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
FREIRE-MAIA, Newton. A ciência por dentro.
5a. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1998.
FUNDAÇÃO
LEMANN. Projeto de Vida. O papel da escola na vida dos jovens.
Disponível em: https://fundacaolemann.org.br/materiais/projeto-de-vida. Acesso
em: 24/02/2020.
GALIAZZI, Maria
Do Carmo; MORAES, Roque. Análise textual discursiva. 1. ed. Ijuí, RS:
Editora Unijuí, 2007.
GUTIERREZ, Francisco.
Linguagem Total. Uma pedagogia dos meios de comunicação. São Paulo:
Summus, 1978.
LEE, Kai Fu. Inteligência
Artificial: Como os robôs estão mudando o mundo, a forma como amamos, nos
relacionamos, trabalhamos e vivemos. 1ª. ed. Rio de Janeiro: Globo
Livros. 2019.
LIBANEO, José
Carlos. As Teorias Pedagógicas Modernas Ressignificadas pelo Debate
Contemporâneo na Educação. 2005. Disponível em: https://www.fclar.unesp.br/Home/Graduacao/Espacodoaluno/PET-ProgramadeEducacaoTutorial/Pedagogia/capitulo-libaneo.pdf. Acesso em:
19/02/2020.
LINSINGEN, Irian Von. CTS na educação tecnológica:
tensões e desafios. I Congresso Iberoamericano de Ciencia, Tecnologia,
Sociedad y Innovación CTS+I, 2006, México D.F, 2006. Disponível em: https://www.oei.es/historico/memoriasctsi/mesa4/m04p18.pdf. Acesso em:
07/05/2020.
LUPORINI, Cesari.
As “Raízes” da Vida Moral. In: Morale e
società. Roma: Editori Riuniti, 1966.
MANACORDA, Mario
Alighiero. Marx e a pedagogia moderna. Tradução Newton Ramos de
Oliveira. Campinas, SP: Editora Alínea, 2007. Título original: Marx e la pedagogia
moderna.
MARAVALHAS, Manoel
Rui Gomes. A educação tecnológica por um viés da CTS, da
interdisciplinaridade e da didática atual. Artefactum – Revista de Estudos
em Linguagem e Tecnologia ANO XII – N° 01, 2020.
MARTINS, Isabel.P.
Formação inicial de professores de física e química sobre a tecnologia e
suas relações sócio científicas. Revista Electrônica de Enseñaza de las
Ciencias, Vol 2, Nº 3, 2003, p. 293-308. Disponível em http://reec.uvigo.es/volumenes/volumen2/REEC_2_3_6.pdf. Acesso:
12/05/2020.
MARX, Karl.
Instruções para os delegados do conselho geral provisório: as diferentes
questões, 1866. Disponível em: http://www.marxists.org/portugues/marx/1866/08/instrucoes.htm. Acesso:
07/05/2020.
MARX, Karl. O
Capital. Vol. 2. 3ª edição, São Paulo: Nova Cultural, 1988.
McLUHAN, Marshal. Os Meios de Comunicação Como Extensão do Homem. São Paulo:
Ed.Cultrix, 1979.
____. Os Meios
De Comunicação Como Extensões Do Homem. São Paulo: Editora
Cultrix. 1964.
MCLUHAN,
Eric; MCLUHAN, Marshall. Laws of Media. The New Science. Londres:
University of Toronto. 1988.
MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital.
2. ed. São Paulo: Boitempo, 2008.
MIRANDA, Elisangela Matias. Tendências das
perspectivas Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) nas áreas de Educação e
Ensino de Ciências: uma análise a partir de teses e dissertações
brasileiras e portuguesas. São Carlos, SP, UFSCar, 2012.
MORAN, José Manuel. A educação que desejamos. Novos
desafios e como chegar lá. Editora Papirus. 2014.
MORGAN,
Jacob. A Simple Explanation Of 'The Internet Of Things. Revista Forbes 2014. Disponível em:
https://www.forbes.com/sites/jacobmorgan/2014/05/13/simple-explanation-internet-things-that-anyone-can-understand/#4b6fdc881d09.
Acesso em: 19/02/2020.
MORIN, Edgard. A cabeça bem-feita: repensar a
reforma; reformar o pensamento. 8. ed. Tradução Eloá Jacobina. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 2003. Título original: La Tête Bien Faite - Repenser la
réforme, réformer la pensée.
____ Os sete saberes necessários à educação do
futuro. 2. ed. Tradução Catarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya São Paulo: Cortez, Brasília: UNESCO, 2000. Título
original: Les sept savoirs nécessaires à l’éducation du futur.
____A religação dos saberes: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2001.
NIETZSCHE, Friedrich. Escritos
sobre educação. São Paulo: Loyola, 2003.
POMBO, Olga. Epistemologia da Interdisciplinaridade.
Foz do Iguaçu: Revista do centro de educação e letras da Unioeste, v. 10, n. 1,
2008, p. 9-40.
RODRIGUES, José Paz. As
aulas no cinema. Os 7 saberes necessários à educação do futuro, segundo
Edgar Morin. 2014. Disponível em:
https://pgl.gal/os-7-saberes-necessarios-a-educacao-do-futuro-segundo-edgar-morin/.
Acesso em: 25/02/2020.
SACCOL, Amarolinda;
SCHLEMMER, Eliane; BARBOSA, Jorge. M-learming e U-learning: Novas
Perspectivas Da Aprendizagem Móvel E Ubíqua. São Paulo: Pearson, 2011.
SADER, Emir. Prefácio.
In: MÉSZÁROS, István. A educação para além do capital. São Paulo:
Boitempo, 2005, p. 15-18.
SANTOS, Boaventura de
Sousa. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência
pós-moderna, São Paulo , v. 2, n. 2, 1988. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141988000200007, acesso em: 09/07/2020.
____ Um discurso sobre
as ciências. 7ª edição. Porto, Portugal. Afrontamento, 1995.
SANTOS, Wildson Luiz
Pereira dos; MORTIMER, Eduardo Fleury. Uma análise de Pressupostos Teóricos
da Abordagem CTS (Ciencia – Tecnologia – Sociedade) no contexto da educação
brasileira. Ensaio – Pesquisa em Educação em Ciências, v.2, n.2, jul-dez 2000,
p.110-132.
SARTORI, Ademilde
Silveira; SOARES, Maria Salete Prado. Concepção dialógica e as NTICs: A
Educomunicação E Os Ecossistemas Comunicativos. Colóquio Internacional Paulo
Freire, v. 5, 2005.
SILVA, Marco.
Internet Na Escola
E Inclusão. In:
BIANCONCINI, Maria Elizabeth
e MORAN, José Manuel. Integração das
Tecnologias na Educação.Secretaria de Educação a Distância. Brasília: Ministério
da Educação, Seed, 2005.
SILVA, José Carlos
Teixeira da. Tecnologia: Novas Abordagens, Conceitos, Dimensões e Gestão, São Paulo ,
v. 13, n. 1, 2003, p. 50-63.
Disponível em https://doi.org/10.1590/S0103-65132003000100005, acesso em: 07/07/2020.
UNESCO. TIC na
educação do Brasil. disponível em:
http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/communication-and-information/digital-transformation-and-innovation/ict-in-education/,
acesso em: 23/02/2020.
VON LINSINGEN, Irlan. CTS
na Educação Tecnológica: Tensões e Desafios. I Congreso Iberoamericano de
Ciencia, Tecnología, Sociedad y Innovación CTS+I, México D.F., 2006. Disponível
em https://www.oei.es/historico/memoriasctsi/mesa4/m04p18.pdf, acesso em 12/04/2020.
WEBER, Max. Economia e
sociedade. 3 ed. Brasilia: Unb, 1994.
[1] Esse
paradigma propõe que o universo seja visto como um todo, um sistema integrado,
uma concepção de teia e de relações que têm como unidade central a
reaproximação das partes, a religação dos saberes. (MORIN, 2001, p. 78)
[2] É uma forma de inteligência artificial, dedicada ao desenvolvimento de algoritmos e técnicas que permitam ao computador aperfeiçoar seu desempenho em alguma tarefa. É o termo utilizado para descrever sistemas de redes neurais artificiais que imitam o funcionamento do cérebro humano para aprender. Esses sistemas podem aprender com pouca intervenção porque são capazes de descobrir por si mesmos quais os dados mais importantes em cada interação.
Comentários
Postar um comentário